Pacientes descobrem câncer de mama em fase mais avançada no SUS do que na rede privada

Mastologistas de todo o Brasil se reuniram  hoje no Rio e estudaram a possibilidade de elaboração de uma carta-manifesto para ser entregue ao ministro da Saúde e à Procuradora Geral da República.

Há de fato um alto índice de casos avançados de câncer de mama atendidos pelo SUS – Sistema Único de Saúde. De acordo com a Sociedade Brasileira de Mastologia, pelo menos 50% a 60% dos casos chegam com tumores acima de 2cm, o que não colabora para a cura e a redução da mortalidade.

Como reduzir este alto índice que acomete mulheres que estão fora da rede privada ? Este foi o grande debate  do Fórum de Políticas Públicas, que aconteceu hoje na Barra da Tijuca, no Rio. 

Com a presença dos principais mastologistas do Brasil, além de gestores de todas as esferas governamentais, apoiadores das áreas técnicas relacionadas com o câncer de mama, pesquisadores interessados nos processos de tradução do conhecimento científico e sociedade civil do Brasil e do exterior, o Fórum aconteceu no primeiro dia do Congresso Brasileiro de Mastologia, e os organizadores consideraram a possibilidade de elaborar uma carta/manifesto para ser entregue ao ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, e à procuradora Geral da República, Raquel Dodge. O objetivo é chamar a atenção para os principais problemas, dentre eles, o não cumprimento da lei dos 60 dias, que prevê o início do tratamento no prazo máximo de 60 dias a partir da assinatura do laudo patológico ou em prazo menor, conforme necessidade terapêutica da paciente.

                            De acordo com o presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia, Antônio Luiz Frasson, um dos principais papéis da entidade é debater projetos e inovações que possam viabilizar o acesso mais rápido das pacientes ao diagnóstico e tratamento adequado do câncer de mama. “Num país de dimensão continental como o nosso, os problemas são muitos e variam de uma região pra outra. No entanto, podemos afirmar que há uma dificuldade de acesso tanto para a prevenção, passando pela realização da mamografia, quanto para o tratamento. E é preciso maior fiscalização nesse sentido”, afirma o mastologista.

Segundo ele, o problema é bem complexo, pois muitas vezes há o acesso aos métodos de imagem para diagnóstico das alterações (sendo clínicas ou não), mas em seguida se depara com a enorme dificuldade para elucidar os casos. “Em muitos casos, por exemplo, da primeira consulta até o acesso à biópsia demora até seis meses”, revela Frasson.

De acordo com André Mattar, mastologista do Hospital Pérola Byington – Centro de Referência da Saúde da mulher em São Paulo, que falou no Fórum sobre as “Dificuldades para elucidação dos casos suspeitos”, este tempo é até maior quando se trata de alterações não palpáveis (especialmente microcalcificações). “Em alguns locais simplesmente não se consegue investigar ou ainda, a investigação pode demorar mais de um ano. E sabemos que a chance de cura está relacionada ao estágio inicial e com o atraso de diagnóstico estamos diminuindo a porcentagem de cura, e, sem dúvida, aumentando o número de óbitos e os custos da saúde já tão prejudicados”, esclarece.

Para Waldeir de Almeida Júnior, professor da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais e que representa a SBM no estado mineiro, apesar de controvérsias na literatura médica, há evidências que o rastreamento do câncer de mama leva ao diagnóstico precoce da doença, permitindo a redução da mortalidade e tratamentos menos agressivos. O rastreamento realizado de forma organizada atinge uma parcela adequada (70%) da população feminina sem sintomas da doença e se faz o rastreamento sistematizado, com intervalos regulares. Mas se realizado de forma oportunística, quando uma mulher vai a um serviço médico, tendo a solicitação de mamografia, sem regularidade no intervalo de pedidos, sem atingir a população alvo necessária para o controle adequado não tem a mesma eficácia, assim, não tem efetividade na redução da mortalidade do câncer de mama e é mais caro para o sistema de saúde. “Infelizmente, no Brasil o rastreamento existente é o oportunístico, limitado por problemas logísticos, econômicos e socioculturais”, alerta.

Fonte: assessoria de imprensa da Sociedade Brasileira de Mastologia.

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