O ONCOLOGISTA

Já que hoje é o Dia do Oncologista, resolvi resgatar um post pra lá de especial, no qual contei a história sobre como foi conhecer meu oncologista, o Dr. Celso Rotstein.

Ao longo dessa jornada no Viver Eu Quero, tive o prazer de conhecer alguns oncologistas muito especiais, não apenas pelo quanto dominam tecnicamente seu trabalho, mas principalmente pela humanidade como desempenham essa atividade, que, na minha perspectiva, não é nada fácil, especialmente pela ótica emocional. É claro que todos são dignos de homenagens neste dia, mas não poderia deixar de prestar está àquele que fez parte direta no meu tratamento na luta contra o câncer. Aliás, foi muito bom reler este capítulo da minha história após quase 2 anos. É bem interessante revisitar certos momentos chave da vida… Segue o texto:

“Eu comecei a contar a história dos médicos que me trataram neste post aqui. Como já falei do meu mastologista, chegou a vez de falar do meu oncologista. Bora lá?

Já fiquei sabendo que o Dr. Rodrigo, meu mastologista, disse que esse post não pode fazer mais sucesso que o dele. Vamos ver no que vai dar… Rs.

Contextualizando:

Depois da cirurgia e do resultado dos exames histopatológico e imunohistoquímico, que indicavam eu estava diante de um câncer de mama ductal infiltrante grau III, triplo negativo (eu sei, só os termos já são assustadores), estudei e me conscientizei que a quimioterapia era essencial no meu caso.

Comecei a jornada de autocontrole e recuperação da cirurgia, mas sabia que uma demora no início da quimioterapia colocaria minha vida em risco e é claro que passei a me movimentar para conhecer o quanto antes o médico que seria meu oncologista.

Anotei no celular todas as dúvidas. O cabelo cairia mesmo? Qual seria o protocolo? Colocaria cateter? Ficaria infértil? Entraria na menopausa química?  Deveria fazer aconselhamento genético? Seria encaminhada para radioterapia?

Sentiram o  caminhão de perguntas, né?

Não estava desesperada como aconteceu no dia que conheci o Dr. Rodrigo, mas, estudando, tinha mergulhado com vontade no universo do tratamento oncológico.

Meu oncologista é o Dr. Celso Rotstein. O maridão e eu vimos no site da clínica que ele era formado na UFRJ, tinha vários títulos importantes e já tinha sido chefe de serviço de oncologia clínica e chefe da Divisão Médica no INCA. Sabia que o homem era especializado em tumores ginecológicos e que era muito experiente.

Fiquei pensando: “Acho que não vou esclarecer metade das minhas dúvidas, pois duvido que esse médico tenha tempo e paciência para tudo isso”.

Na minha cabeça o oncologista só teria tempo de receitar um monte de substâncias tóxicas para “metralhar” o meu câncer e que sairia dali pronto para atacar o câncer de outra pessoa. Quase um “soldado armado” no meio de uma “guerra contra ao câncer”.

No dia que o conheci, imediatamente simpatizei com a figura dele. Descobri que “Tranquilidade” e “Paciência” são seus outros sobrenomes. Tempo, de fato não sobra na vida dele. Ele não almoça alguns dias da semana, começa a trabalhar de manhã cedo e já retornou ligação minha após atender sua última paciente do dia, as 22:00h. Ainda assim, ele arrumou tempo para as minhas preocupações, pois sua humanidade fala mais alto.

Talvez ele não saiba, mas naquele dia ele ganhou uma fã.

Quando ele percebeu que eu tinha feito o dever de casa, sorriu e acho que ficou até feliz em poder esclarecer tantos questionamentos.

Pensem numa consulta longa! 30 minutos? 40 minutos? 1 hora? Ah, vocês não me conhecem, minha gente… Rs. Eu já falo (e escrevo) pelos cotovelos, cheia de dúvidas sobre a minha vida, então…

Pois é, pasmem! Minha primeira consulta com o oncologista durou, aproximadamente, 2 horas!!! Talvez mais. Não prestei muita atenção no tempo. Na verdade, eu nem percebi que demorou. Foi o relógio que me avisou, pois não vi o tempo passar.  Ele não é um médico, é um homem santo por me aturar. Rsrsrs. Nem sei se ele se deu conta do quanto atrapalhei sua agenda naquele dia. Talvez os outros pacientes que estavam esperando tenham “avisado”. Desculpem-me, pessoal! Foi por uma boa causa.

Acho que não conheço outra pessoa capaz de transmitir paz mesmo quando fala para uma mulher que ela vai ficar careca. Ele é tão educado e tão tranquilo… Aquilo não combinava com a imagem que eu fazia do “soldado metralhador de cânceres”.

Com toda humanidade do mundo, o Dr. Celso explicou que: provavelmente ficaria careca; eu entraria em menopausa química; havia chances de ficar estéril; pela minha idade e histórico familiar, ele recomendava o aconselhamento genético; considerando o meu histórico médico, era recomendável o uso de cateter; eu faria o protocolo de 4 ciclos de doxorrubicina + ciclofosfamida seguido de 12 ciclos de taxol e a história da radioterapia realmente aconteceria depois da quimioterapia, mas essa conversa ficaria mais para frente, pois eu já tinha muito para digerir.

Em março fiz a cirurgia para implantar o cateter e foi bem mais simples do que imaginava. Dois dias depois iniciamos a quimioterapia.

Já dividi com vocês neste post aqui a equipe maravilhosa de enfermagem que cuidou de mim durante a quimioterapia. As meninas fizeram de tudo para tornar esse processo mais suave.

O Dr. Celso ainda teve o cuidado de amenizar o máximo que podia os efeitos colaterais do tratamento, com o uso de outros medicamentos de ponta, que apesar do custo relativamente alto, me proporcionavam mais qualidade de vida, como o Emend. Seu laudo técnico convenceu o plano de saúde a arcar com todos esses custos e sou extremamente grata por este cuidado.

Ao longo da trajetória meu sistema imunológico não colaborou muito e ele, meu onco,  sempre foi extremamente solícito, atendendo todos os meus pedidos de socorro em ligações noturnas e algumas vezes em feriados e finais de semana.

Ele recomendou que eu tivesse algum apoio médico em Petrópolis em caso de urgência. Mais uma vez Deus me abençoou com duas amigas lindas, que sempre me deram suporte nos momentos mais difíceis: as médicas Anna Cristina Portugal e Débora Cruz Cunha, que SEMPRE me socorreram nos momentos mais críticos do tratamento.

Amigas, não sei o que teria sido de mim sem vocês! Obrigada!

Já ouvi falar de paciente que não pode ver o oncologista nem pintado de ouro, pois relembra os “traumas” da quimioterapia. Outro dia me contaram a história de um paciente que estava andando pela Lagoa Rodrigo de Freitas e ao encontrar o oncologista começou a vomitar. Acontece e é compreensível, mas convenhamos que é engraçado. Rs.

Graças a Deus, desse trauma eu não sofro, pois tenho um prazer enorme em encontrar o Dr. Celso. Falamos de passeios; de Portugal, que ele ama; de Araras, em Petrópolis; do meu grande sonho, de um dia conhecer Paris; de biscoitos santa clara e das delícias da serra; dos casos que me relatam e que as vezes fico insegura de publicar, pois temo influenciar inadequadamente outros leitores (ele ainda têm a paciência de esclarecer procedimentos que em nada têm a ver com o meu, para eu publicar aqui no blog com segurança); de suas experiências inusitadas como oncologista e ainda sobre seus lindos netos.

Minha última quimioterapia foi no dia 15 de setembro de 2016 e celebrei (veja aqui o vídeo Comemorando A Última Quimioterapia!).

Apesar de ter sido muito bem amparada pelo meu oncologista, ainda vejo a quimioterapia como uma “guerra contra ao câncer”.

Sou extremamente grata ao Dr. Celso por ter cuidado de mim num dos momentos mais frágeis da minha vida. Meu tratamento foi desempenhado com muita perícia e com a agressividade necessária para combater a doença, mas ao mesmo tempo com extrema humanidade para que eu encarasse essa jornada da melhor forma possível.

Essa combinação não é nada fácil, mas o Dr. Celso a faz com maestria e muita simplicidade.

O Dr. Celso ainda me acompanhará por um longo período, para garantirmos que não haverá tentativas de “contra-ataque inimigo”.

Muito obrigada “médico-soldado” e amigo Celso Rotstein.”

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ATUALIZAÇÕES (07/2018)

Esta última foto foi feita logo após terminar meu tratamento quimioterápico, já a foto de capa deste post foi feita, aproximadamente, após 15 meses sem quimioterapia.

O Dr. Celso continua se fazendo presente em minha. Preciso visitá-lo pelo menos umas 4 vezes ao ano (às vezes mais), para refazer exames e levar resultados de exames novos. Vida que segue. Eterna gratidão à Deus por ter colocado este oncologista em minha vida.

 

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O Mastologista – Dr. Rodrigo Souto

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