Existe algo que possamos fazer para diminuir as chances de uma recidiva?

Será que paciente em tratamento contra um câncer pode praticar atividade física? E depois do tratamento, há mais benefícios em adotar a prática de exercícios regulares?

É comum ouvirmos de amigos e familiares que devemos poupar a energia durante o tratamento, mas será que esta realmente é uma boa ideia? 

Acompanhamos algumas matérias falando sobre os estudos apresentados na ASCO  (American Society of Clinical Oncology) deste ano sobre o quanto o exercício físico colabora para o tratamento dos pacientes oncológicos e ficamos intrigados com ideia. Aparentemente, os benefícios para o paciente oncológico envolvem diminuição da degradação muscular durante o tratamento e, após esta fase, o impacto é tão grande que  se fala  até em diminuição do risco de recidiva ou de mortalidade pela doença.

É comum o paciente pensar: será que existe algo que eu possa fazer para diminuir o risco do câncer voltar à minha vida? Segundo esses estudos a resposta é sim! Como: Praticando exercícios físicos regularmente!

Para termos uma visão mais prática do assunto e facilitar a compreensão da importância
do exercício físico por este grupo em específico, conversamos com o Mestre Estevão Scudese, personal trainer e doutorando em Biociências. O bate-papo rendeu tanto que optamos por dividir a matéria em duas, para facilitar a absorção do conteúdo. 

Vem comigo e veja abaixo a primeira parte da nossa conversa.

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“Existem casos de síndrome metabólica, em que a obesidade pode estar presente junto com demais sinais como hipertensão e resistência insulínica formando um quadro complexo e multifatorial propício aos marcadores de inflamação crônica que podem facilitar um ambiente carcinogênico” observa o Mestre Estevão Scudese. 

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Estevão Scudese é mestre e doutorando em Biociências e Personal Trainer (FOTO: VIVER EU QUERO)

VIVER EU QUERO (VEQ) – Ao que nos parece, há um número robusto de estudos que apontam para a prática de exercícios físicos como um fortíssimo aliado para os pacientes oncológicos durante e após o tratamento. Pacientes podem enxergar esta prática como uma continuidade de tratamento ou até mesmo como um “remédio” de proteção? 

MESTRE ESTEVÃO SCUDESE (ES) – Sem dúvida alguma. De fato, quando bem orientado e aliado à conduta médica/halopática, a inserção de um programa regular de atividade física é um grande aliado nas diferentes fases do enfrentamento ao câncer.

(VEQ) – Quais são os benefícios, falando especificamente do grupo de pessoas que já tiveram um câncer?

(ES) – Podemos considerar todos os benefícios normalmente esperados, tais como: a melhora geral da aptidão física através do aumento da força e resistência muscular; melhora da capacidade cardiovascular; melhora da capacidade neuromotora; aprimoramento da mobilidade articular e flexibilidade músculo/tendínea e melhora da composição corporal.

Todos estes benefícios irão contribuir para a melhora do quadro de fadiga oncológica proveniente da doença e tratamento. A melhora no estado geral de saúde poderá devolver a este paciente a autoestima e funcionalidade física perdida momentaneamente. Este quadro de melhora global irá desempenhar um papel fundamental na recuperação e qualidade de vida do paciente.

(VEQ) – Agora fazendo uma análise em sentido inverso: quais são os malefícios do sedentarismo e do sobrepeso ou obesidade para quem já teve um câncer?

(ES) – Nas últimas décadas o sedentarismo tem sido apontado como fator de risco isolado. No entanto, diferente de condições como histórico familiar, é importante ressaltar que o sedentarismo é um fator de risco modificável com grande influência para doenças crônicas, como diabetes melitus, obesidade, hipertensão arterial, osteoporose, artrite, doenças cardiovasculares, depressão, câncer (principalmente os de cólon e mama), fibromialgia e asma.

Mais especificamente falando de obesidade, já se sabe que ela também é fator de risco para o desenvolvimento de câncer. Existem casos de síndrome metabólica, em que a obesidade pode estar presente junto com demais sinais como hipertensão e resistência insulínica formando um quadro complexo e multifatorial propício aos marcadores de inflamação crônica que podem facilitar um ambiente carcinogênico.

Estudos no campo da autofagia, tema do prêmio nobel da medicina e fisiologia em 2016, mostram a importância do processo de “reciclagem” celular para a manutenção de um ambiente molecular sadio para diversos tipos de organismos desde bactérias até os mamíferos. É interessante notar que os processos de autofagia celular estão sempre muito ativos em 2 situações: jejum alimentar e exercícios físicos, exatamente o oposto do que ocorre nas situações de grande oferta de alimentos principalmente os de alto índice glicêmico que estimulam as vias celulares de sinalização antagônicas.

Esta é uma área bastante recente e ainda necessita de muita investigação científica com relação ao câncer, porém, cada vez mais se entende as relações entre qualidade nutricional, atividade física e longevidade.

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