Novos Medicamentos no SUS? – entrevista com Drª Maira Caleffi da FEMAMA

Quem acompanha blogs, pacientes, ONGs e instituições que lutam contra o câncer deve está vendo um burburinho intenso sobre uns benditos medicamentos que liberaram recentemente para o SUS. Muitos se perguntam: “Mas que medicamentos são esses?”; “Já estão disponíveis para uso hoje?” e “Por que tanto barulho por conta disso?”.

Pois estes remédios são muito importantes, sim, e quem ganha são os pacientes. Bora entender melhor?

Aproveitamos um bate-papo com a Drª Maira Caleffi, presidente voluntária da FEMAMA – Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama, para abordarmos o assunto.

Nesta entrevista você terá a oportunidade de conhecer melhor esta importante organização brasileira, bem como compreenderá o porquê de tanto barulho com essa conquista.

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Drª Maira Caleffi -(Fonte: site da FEMAMA)

” É com muita felicidade e orgulho que comemoramos a decisão da incorporação das medicações que podem aumentar a sobrevida média global de milhares de mulheres com câncer de mama metastático no Brasil.” Drª Maira Caleffi.

Vem comigo!


VIVER EU QUERO (VEQ) –  Para situarmos nossos leitores que estão chegando neste universo oncológico agora, podemos contar brevemente o que é a FEMAMA e como é o trabalho desenvolvido pela organização? Como vocês se definem?

DR.ª MAIRA CALEFFI (MC)- A FEMAMA é uma entidade filantrópica de apoio à saúde da mama que possui 70 ONGs associadas em todas as regiões do Brasil. Desde 2006, luta nacionalmente por mudanças em políticas públicas que garantam melhor acesso e qualidade no diagnóstico e no tratamento do câncer de mama para a população. Implementamos o Outubro Rosa de forma organizada no Brasil e, entre nossas conquistas, estão a articulação para a aprovação da Lei dos 60 Dias (12.732/12 que determina o início do tratamento de pacientes oncológicos pelo SUS em até 60 dias) e da Lei da Mamografia (11.664/08, que regulamenta a mamografia a partir dos 40 anos, pelo SUS).

(VEQ) – Uma das linhas de trabalho mais importantes da FEMAMA está ligada à influência na conquista de políticas públicas que beneficiem a saúde de pacientes oncológicos. Recentemente, o Brasil experimentou um enorme avanço com a liberação, no SUS, de dois medicamentos que fazem parte da cesta básica da Oncologia para pacientes com câncer de mama metastático: o trastuzumabe e o pertuzumabe. Mas ainda há um prazo para a efetivação destas normas, correto? Como a FEMAMA encara esta evolução?

(MC)- É com muita felicidade e orgulho que comemoramos a decisão da incorporação das medicações que podem aumentar a sobrevida média global de milhares de mulheres com câncer de mama metastático no Brasil. A inclusão desses medicamentos no SUS foi impactada por anos de esforços da FEMAMA ao lado de suas ONGs associadas e demais parceiros e é muito bom fazer parte dessa vitória que vai ampliar os efeitos positivos sobre as pacientes e evitar o problema do acesso desigual aos tratamentos e da judicialização da saúde. Essa é uma conquista de muita mobilização de pacientes e é o resultado de uma conversa aberta e positiva do Governo Federal através do Ministério da Saúde e suas agências com a indústria, as instituições do terceiro setor e a população. Precisamos garantir como sociedade civil, com o apoio da sociedade médica, que drogas alvo, de alto custo, sejam usadas nos casos adequados.
Ainda sim, a luta continua no câncer de mama pelo diagnóstico rápido e tratamentos baseados em evidência científica. Para que os tratamentos estejam de fato disponíveis, ainda há um prazo regulamentar de 180 dias após o anúncio da incorporação a ser seguido. A inclusão do trastuzumabe foi publicada em 03/08 deste ano, e a do pertuzumabe, em 04/12. Logo, os dois tratamentos estarão disponíveis no SUS para os pacientes até fevereiro e junho, respectivamente.

(VEQ) – Agora, depois do trastuzumabe e do pertuzumabe no SUS, quais são os próximos desafios em termos de política pública para o câncer de mama no Brasil?

(MC)- A FEMAMA segue na luta por maior acesso a diagnóstico e tratamento para pacientes com câncer de mama. Entre as prioritárias estão a aprovação do PL (Projeto de Lei) dos 30 Dias e a adoção do registro compulsório do câncer.
O PL dos 30 Dias incluirá um artigo à Lei dos 60 Dias, estabelecendo o prazo máximo de 30 dias para a realização de exames quando houver suspeita de câncer apontada pelo médico. Essa determinação fará com que o tratamento possa ser iniciado mais rápido, aumentando, assim, as chances de cura dos pacientes. Hoje existem casos de espera que superam um ano entre os pacientes que dependem do SUS e mais da metade dos pacientes têm a confirmação do diagnóstico quando o câncer já está em estágio avançado. Quanto mais cedo o câncer for diagnosticado e tratado, menos agressivo e caro é o tratamento e maiores são as chances de cura.
Já o registro compulsório é uma luta da FEMAMA frente à dificuldade em registrar dados
fidedignos de incidência e mortalidade sobre o cenário oncológico no Brasil. A adoção da
notificação obrigatória da doença trará dados fundamentais para a melhoria da gestão de recursos da saúde pública e agilizará o diagnóstico e o tratamento do câncer no país, facilitando a fiscalização do cumprimento da Lei dos 60 Dias. Hoje o sistema que deveria registrar e monitorar o cumprimento da lei, o SISCAN, não está funcionando por completo. Os registros coletados nacionalmente pelo sistema nos últimos três anos equivalem a apenas 10% da estimativa de novos casos de câncer por ano.

VEQ) – Acabou de acontecer o IV Fórum de Combate ao Câncer da Mulher, em Fortaleza/CE. Quantas ONGs foram reunidas neste evento e qual é o balanço que vocês fazem do fórum?

(MC)- Reunimos aproximadamente 60 ONGs, entre associadas e instituições não associadas. O balanço é positivo. O Fórum reforçou o trabalho que a FEMAMA desenvolve durante todo o ano, empoderando instituições e pacientes, munindo-os de informações para que se movimentem e busquem compreender a doença e exigir o acesso ao diagnóstico e tratamento em suas regiões.

PACIENTESCONTROLE - Pertuzumabe


 

2 comentários em “Novos Medicamentos no SUS? – entrevista com Drª Maira Caleffi da FEMAMA

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  1. Preciso que me tire uma duvida urgente… por favor!! Me respondam!!
    Estou em tratamento de mama her2 positivo localmente avançado (8/19) ja faço o traztuzumab 2a aplicação.. minha dúvida é tenho direito de receber junto o pertuzumabe?? Ja q nao temho metastase a distancia, Somente no linfos??
    Agradeço a atenção…

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    1. Oi, Michelle. Tudo bem? Nossa equipe busca realizar entrevistas com pessoas qualificadas para tirar dúvidas de pacientes, mas infelizmente não temos uma equipe de especializada nessas áreas à nossa disposição para pós-entrevista, para tirar as dúvidas remanescentes de nossos leitores com a propriedade e a segurança necessárias. Entretanto, conhecemos o caminho para solucionar a questão. Por gentileza, entre em contato com o Ligue -Câncer do Oncoguia. Você obterá orientação precisa e segura em tempo bastante razoável e eles podem inclusive lhe dar orientações sobre como resolver a questão. Eis o número de contato: Tel. 0800 773 1666 (Ligações gratuitas de telefone fixo).
      Atendimento: das 9h às 12h e das 13h às 16h, de 2ªf a 6ªf.. Esperamos que a informação lhe ajude e estamos na torcida por você. Um beijo no seu coração.

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