Vidas Inspiradoras – Diego Coelho

Recentemente alguns vídeos de um rapaz dançando viralizaram no facebook. O motivo? A enorme alegria de viver transmitida pelas imagens.

Diego Coelho, de apenas 22 anos, é de Assis Chateaubriand, no Paraná, e vive cercado por uma família muito alegre e unida. Foi diagnosticado com um linfoma não- Hodgkin e aprendeu a levar a vida e o tratamento com serenidade e bom humor.

Um belo dia, estava eu (Day) circulando pelo feed de notícias do Facebook, quando me deparei com um rapaz bem humorado, num hospital, “penteando” a carequinha, com um largo sorriso no rosto e imediatamente após começou a dançar com seu par: um suporte para medicação.

 

 

A energia e a vontade de viver que emanavam daquele rapaz era contagiante… Fui ver quem era e, como boa blogueira, sou muuuitooo curiosa e descobri que ele já tinha vários vídeos dançando, até mesmo o hit “Despacito”.

 

 

Compartilhei na página do Viver Eu Quero e  nossos leitores amaram. Que astral bacana!

Não foi o suficiente para mim. Eu precisava  conhecer mais sobre aquela história… Dito e feito. Fui atrás do Diego na internet, propus uma entrevista e ele topou.

Durante nossas conversas, vi que esse paranaense é muito educado e alto astral, exatamente como vocês podem conferir  nos vídeos.

Esse é dos meus, gente!

Bora entender e se inspirar com a história do Diego, pessoal.

Preparem o coração!


VIVER EU QUERO (VEQ) – Conte-nos um pouquinho sobre o Diego antes do diagnóstico. Como você era e o que você fazia?
DIEGO COELHO (DC) – Eu era e sempre fui alegre, engraçado e de bem com todos. Nunca tive problemas para me relacionar com as pessoas, mas eu era mais fechado não era de falar muito (se expressar) tinha um pouco de vergonha.
7 meses antes de descobrir o câncer comecei a trabalhar em uma loja como montador de móveis e por precisar ir nas casas dos clientes fui perdendo um pouco a vergonha de conversar com as pessoas isso me ajudou bastante.
(VEQ) – Quando e como aconteceu o diagnóstico? Como você recebeu a notícia?
(DC) – O diagnóstico aconteceu em julho de 2015, mas já fazia 3 meses que tinha aparecido um tumor embaixo da axila. Como pensei que era uma íngua, demorei para ir atrás. Depois de 3 meses começou a me dar febre toda noite. Fiquei uma semana tomando remédio e a febre sempre voltava.
Foi quando resolvi ir atrás, consultei no posto de saúde, me pediram uma ultrassom, mostrei para o médico, que já me mandou para o CEONC, que é um hospital do câncer de Cascavel/PR. Fiz uma cirurgia para retirada do tumor e foi para a biópsia quando saiu o resultado, que era câncer, um Linfoma não- Hodgking, foi um choque. Foi quando percebi que reclamar, se lamentar ou ficar se perguntando “por que eu?” não iria mudar meu diagnóstico.
Então levantei a cabeça e falei vamos à luta. Depois fiz uma tomografia que indicou mais 4 tumores espalhados pelo corpo. Mesmo assim não fiquei pra baixo, apesar de estar bem avançado, não perdi as esperanças e me apeguei com Deus.
Comecei as sessões de quimioterapia no dia seguinte: fiz 6 químios vermelhas, a cada 21 dias.  Na primeira, minha imunidade abaixou demais. Minha boca inchou e encheu de feridas. Fiquei 9 dias internado sem conseguir comer. Tive que tomar sangue porque tive anemia, pois não comia.
Depois foram só os efeitos normais: enjoos, vômitos, fraqueza…
Na última peguei uma chuva e fiquei algumas horas molhado, o que me deu uma sinusite tão forte que a cabeça inchou toda. Não conseguia nem abrir os olhos de tanto que inchou. Fiquei mais 9 dias internado e tomando morfina direto junto com o soro para passar a dor.
Saí do hospital bom e terminei de me recuperar em casa. Terminei as quimioterapias e fui para a radioterapia. Mais 20 sessões. Foi tranquilo, só queimou um pouco a pele.
Aí, quando pensei que estava tudo bem, que estava curado, com 6 meses, voltou.
Quando recebi esta notícia foi muito pior do que quando descobri a doença.
Mas, como já havia passado e sei como que é, encarei firme de novo.
Fiz mais 3 ciclos de 3 dias de quimioterapia e fui encaminhado para o transplante de medula.
(VEQ) Sabemos que você possui uma família bastante unida, não é mesmo? Pai, mãe, irmã… como eles reagiram a este momento? Quem esteve ao seu lado durante todo o processo?
(DC) – Na verdade quem deu forças a minha família foi eu, que sempre procurava estar bem, mesmo estando mal, só para eles não ficarem preocupados.
Quando me perguntam se eu estou bem, sempre falo que estou.
Só para os médicos que falo realmente o que estou sentindo, ou não, tudo para não deixá-los preocupados.
Quem esteve ao meu lado foi a família em peso pai, mãe, irmã, tio, tia, primos, vó, vô e amigos.

 

 

(VEQ) Você passou por um transplante de medula, correto? É possível que tenhamos leitores interessados em entender a perspectiva de uma paciente sobre este procedimento e podemos ajudá-los com sua experiência. Como foi este processo?
(DC) – O transplante para mim foi bem mais sossegado, apesar de passar por 5 dias de uma quimioterapia bem forte. Foi em um prazo curto, então as reações são as mesmas da quimioterapia normal, só que passa e acaba. Você sabe que não haverá mais químios. O complicado é ter que ficar quase um mês em isolamento.
Por isso tem que ter um psicológico bom para passar esse tempo tranquilo, e foi o que eu fiz. A psicóloga foi dois dias apenas e eu dei uma aula para ela de como ser tranquilo (risos)… ela nem voltou mais (mais risos). Porém, agora tenho que ter bastante cuidado porque minhas defesas do corpo ficaram mais vulneráveis e qualquer problema pode se agravar. Então tem que ter muitos cuidados, mas tudo passa.

 

 

(VEQ) Agora, durante toda essa jornada, houve um momento especial que fez com que você se aproximasse de muitas pessoas: enquanto você estava na fase de isolamento, você fez vídeos dançando e com uma alegria contagiante. Como surgiu essa ideia?
Você sempre gostou de dançar?
(DC) –  Eu sempre gostei de dançar e estava falando com um grupo de amigos por vídeo e eles falaram para eu voltar logo, que as meninas estavam com vontade de dançar comigo e estavam com saudades, mas enquanto isso era para ir treinando com as enfermeiras. (risos).
Foi aí que resolvi fazer um vídeo para fazer eles darem risadas e ver que eu estava internado, mas estava super bem e mandei. Acabou que achei que ficou tão legal e resolvi postar no facebook.
(VEQ)Você se surpreendeu com a reação das pessoas e com o fato de seus vídeos se tornarem virais?
(DC) –  Me surpreendi e muito. Minhas postagens geralmente tinha umas 200 curtidas, alguns vídeos que postei cerca de 2000 visualizações e bem poucos comentários. Para chegar a mais de 7000 curtidas, meio milhão de visualizações e mais de 400 comentários…. não fazia nem ideia que aconteceria isso, mas fiquei muito feliz que consegui, sem querer, através dos vídeos, transmitir força, otimismo, alegria e esperança para muitas pessoas.
Sem falar nos novos amigos que fiz através das postagens.
(VEQ) Depois de tudo isso, como você enxerga a vida hoje?
(DC) – Eu enxergo a vida como uma batalha constante, onde você é o soldado e as consequências da vida são os inimigos. A qualquer momento você pode tomar um tiro de raspão, um tiro de revólver, um tiro de fuzil ou uma granada, alguns vão fazer poucos estragos, outros muitos, mas precisamos nos recuperar e continuar lutando e o mais essencial: estar preparado para enfrentar tudo isso de cabeça erguida, com ânimo e sorriso no rosto, porque ficar deprimido, triste, se lamentando ou reclamando não vai adiantar de nada, só vai trazer mais problemas e dificultar a melhora.
(VEQ) Quais são seus planos para o futuro?
(DC) – Meus planos são continuar a viver bem, sempre animado e animando as pessoas. Arrumar um emprego razoável, de preferência um com estabilidade, porque assim que eu estiver recuperado vou estar desempregado também.
Não comecei uma faculdade, devido ao tratamento. Quero fazer uma faculdade, mas se a situação financeira não permitir, vamos prolongando os planos até dar.
(VEQ) Gostaria de deixar um recado para nossos leitores, inclusive pacientes e familiares?
(DC) – O recado que deixo é primeiramente confiar em Deus, acreditar em você, porque o que você tem que passar, o outro não pode passar por você. Seja confiante, otimista e agradeça todos os dias ao acordar por mais uma chance que Deus te deu, não importa como esteja, sempre vai ter alguém pior, então agradeça sempre.
E se você está bem de saúde ou financeiramente, ajude quem precisa através de doações seja de sangue, medula ou dinheiro. Hoje você está doando, amanhã você pode estar precisando.
Então ajude enquanto pode, porque nunca se sabe o dia de amanhã.
A coisa mais gratificante que podemos fazer por esse mundo é fazer o bem sem olhar a quem.
(VEQ) Você quer aproveitar a entrevista para tornar pública alguma mensagem de agradecimento a alguém que lhe apoiou durante seu processo? 
(DC) – Quero agradecer em especial à minha família que é minha base nessa vida, aos médicos que cuidaram e cuidam de mim, aos meus amigos e àquelas pessoas que me conhecem e oram por mim, mesmo sem eu conhecê-las.
Que Deus abençoe todos nós e que seja feita a vontade dele.

 

Gente, assistam os vídeos do Diego. Ele é alegria e bom humor puros. Transforma o dia de qualquer um com seu sorriso e animação.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Diego, você definitivamente é uma pessoa inspiradora.
Obrigada pela entrevista e por trazer tanta sabedoria e alegria em suas palavras. Mesmo sendo tão jovem, você já viveu experiências que lhe deram o dom de falar tocando os corações de todos.

Que Deus lhe abençoe grandemente e à sua família também.


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