VOCÊ SABIA QUE DE 85% A 90 % DAS PESSOAS QUE DESENVOLVEM CÂNCER DE PULMÃO SÃO TABAGISTAS?

De acordo com especialistas  quase 90% das pessoas que desenvolvem câncer de pulmão são tabagistas. Mas, você já parou para se perguntar como fica a situação dos FUMANTES PASSIVOS? No Dia mundial sem tabaco, precisamos falar sobre tabagismo e câncer de pulmão. O Viver Eu Quero conversou com o Dr. Rafael Jacob sobre o tema e sugerimos a leitura deste texto por todos, principalmente para aqueles que têm fumantes em seu convívio.

O perigo existe também para quem é fumante passivo, ou seja, para as pessoas que convivem com outras que possuem o hábito do tabagismo. Entenda melhor na entrevista abaixo que fizemos com o Dr. Rafael Jacob, oncologista da Oncologia D´Or e que nos concedeu esta entrevista durante o II Simpósio Nacional de Diagnóstico de Pulmão.

ENTREVISTA

DR RAFEL JACOB ONCOLOGISTA
Dr. Rafael Jacob é oncologista e trabalha na Oncologia D´Or.

VIVER EU QUERO (VEQ) – Vamos começar falando  sobre prevenção. Pelo que pesquisamos a maioria dos casos de câncer de pulmão acometem pessoas tabagistas, correto? 

DR. RAFAEL JACOB – “A grosso modo, 85% a 90% dos casos de câncer de pulmão ocorrem em tabagistas, então a probabilidade de um tabagista ter câncer é muito maior do que a de um não – tabagista.”

VEQ – Quando o senhor diz tabagista, se refere tanto ao fumante propriamente dito, mas e quanto ao fumante passivo?

DR. RAFAEL JACOB – “É. O tabagista ativo tem certamente um índice muito maior, mas o fumante passivo também. É que definir tabagismo passivo é um pouco difícil, porque vai depender de uma exposição crônica e diária ao tabagismo. nós temos uma estatística no Brasil de que aproximadamente de 4 a 7 fumantes passivos por dia morrem no Brasil. Mas aqui não estou falando do câncer de pulmão. Essas pessoas morrem por algum tipo de doença relacionada à inalação da fumaça do cigarro.

Os pacientes que fumam por muito tempo, por pelo menos 15 anos ou mais, um maço por dia e aí a gente chama de carga tabágica (multiplicando o que ele consome por dia pelo tempo de tabagismo, então é aferido o tempo e intensidade de exposição), acima de  15 maços-ano (que é como a gente chama), a chance de desenvolver uma doença começa a aumentar bastante. A gente estima que tabagistas ativos acima desse número tem uma chance 20 a 30 vezes maior de câncer de pulmão do que quem nunca fumou. Então, de fato, é um veneno.”

VEQ Vamos fazer uma avaliação reversa: aquele tabagista que está fumando há 30 anos e aí resolve parar de fumar. Vai fazer diferença? 

Dr. Rafael Jacob – “Se ele for uma pessoa saudável vai fazer diferença e quanto mais precocemente ele parar, mais chances de não ter câncer de pulmão. Por que falo isso?  Porque a gente tem que levar em consideração a expectativa de vida.

Alguns estudos sugerem que as chances desse indivíduo, quando ele mantem hábitos saudáveis, se aproxima bastante daquele que nunca foi fumante.”

VEQ – Lemos em nossas pesquisas informações sobre uma estatística que apontava que, após 20 anos sem fumar, a pessoa estaria quase que em pé de igualdade com aquele que nunca fumou. Procede?

Dr. Rafael –  “Não chega a  ficar em ‘pé de igualdade’, mas se aproxima bastante. Porém antes de você reduzir tanto o risco de câncer de pulmão, você já reduziu muito outras preocupações. Existem trabalhos médicos, por exemplo, que demonstram a melhoria da performance respiratória após 1 semana sem fumar.  Já respira melhor, caminha melhor, tosse menos, depois de pouco tempo tem um melhor controle da pressão arterial. Outros estudos apontam que após 10 anos diminui o risco de infarto agudo do miocárdio e de acidente vascular encefálico. Então diminuir o risco de desenvolver o câncer é apenas um dos benefícios. O câncer de pulmão chama a atenção devido ao seu estigma que a palavra “câncer” tem, mas temos que deixar claro para o público que evitar o tabagismo evita muitas outras doenças.”

VEQ – Quais são os sintomas do câncer de pulmão?

DR. RAFAEL JACOB – “Os sintomas variam muito dependendo da localização da lesão, ou seja, se esta lesão ou nódulo está mais para o meio, o que a gente chama de medial, ou para a região mais lateral do pulmão, próximo aos arcos costais. Mas, em geral, podemos elencar:

 – tosse crônica, com mais de 15 ou 30 dias, uma tosse que não foi resolvida, obviamente se não houver qualquer justificativa, como um quadro infeccioso ou contato com quem esteja doente;

– tosse com escarro sanguinolento (o que chamamos de hemoptoico);

– aquela pessoa previamente sadia e que começou a ter dificuldade para fazer suas atividades, sejam elas de maior ou menor esforço e a dor torácica é até um sintoma muito comentado, mas não é um sintoma tão frequente caso você não tenha uma lesão periférica (as lesões periféricas, que  são as mais superficiais, em geral são as que vão doer com mais frequência, porque elas podem ter contato com a pleura, que é uma espécie de membrana, uma capa que envolve o pulmão, onde existem terminações nervosas), mas o indivíduo pode ter uma lesão de 2 ou 4 cm no meio do pulmão e ser completamente indolor.

Acreditar que por não ter dor não pode ser câncer de pulmão, não é verdade.”

VEQ – Uma pergunta comum a quem tem suspeita de câncer de pulmão ou ainda outro tipo de câncer com suspeita de metástase no pulmão: Como é feita essa biopsia? Para quem avalia a hipótese de um câncer que se originou no próprio pulmão ou para quem teve outro tipo de câncer e suspeita de uma metástase, o procedimento é o mesmo?

DR. RAFAEL JACOB – “Aí a gente tem que entender qual é a doença de base que a gente está avaliando. Cada câncer, cada tumor sólido tem um comportamento biológico específico. É sempre importante uma avaliação prévia do oncologista. Porque  há um entendimento, digamos, do caminho que aquela doença tende a seguir.

Por exemplo : uma mulher que teve um câncer de mama e ela está em controle com seu oncologista e um nódulo pulmonar aparece, dependendo do aspecto deste nódulo (ele pode ser mais ou talvez menos suspeito), ele talvez mereça investigação. Por que? Por que o câncer de mama é uma doença que, com uma certa frequência, pode ter uma recorrência pulmonar, assim como fígado, ossos,  sistema nervoso central… É o que  a gente, a grosso modo, percebe.

Já o câncer de ovário restrita à pelve ou à cavidade abdominal. É impossível uma mulher com câncer de ovário ter uma evolução para uma metástase pulmonar? Obviamente que não, pois medicina não matemática, mas é muito infrequente. Se você comparar um câncer de ovário com um câncer de mama, a probabilidade é bem menor.

Então você tem que correlacionar com a doença que esta paciente teve no passado para poder presumir qual a probabilidade daquele nódulo ter alguma correlação com aquela doença de base, seja ela câncer de mama, ovário ou outros.

Se você acredita que esta ligação existe e precisa de um diagnóstico, a biópsia não muda se ela começou no pulmão ou se é uma metástase pulmonar de um outro tumor. O fragmento tem que sair dali. Na verdade ou ela vai acontecer guiada por uma tomografia, se os nódulos foram periféricos. Você consegue tomografar e através dos arcos costais, o que a gente chama de transtorácica o que é feito, em geral, por um radiologista especializado.  Quando esses nódulos são nas regiões mais centrais, as vezes o paciente passa por uma broncoscopia, que passa pela via respiratória, de forma a alcançar a área deste nódulo e fazer uma biópsia transbrônquica, ou seja, através do brônquio, que é o finalzinho da árvore respiratória. “


Também gravamos um vídeo com a Drª Tatiane Montella, coordenadora do NEOTÓRAX da Oncologia D´Or. O bate papo sobre câncer de pulmão também foi muito esclarecedor.

Já entrevistamos o  Dr. Rafael Jacob noutras oportunidades, como no vídeo abaixo, mas super recomendamos segui-lo no Instagram (clique aqui para ver o perfil) . Ele sempre transmite mensagens e informações muito interessantes sobre o universo da medicina e da oncologia.

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