Você Já Teve Curiosidade Sobre Pesquisas Com Humanos? E Se Essas Pequisas Puderem Nos Ajudar? (POST 2 – entrevista com Dr. Giberto Amorim)

O Viver Eu Quero é um blog curioso e estamos numa “trilogia de posts” com o intuito de compreender um pouco melhor o mundo da pesquisa com humanos, no universo oncológico; entender se esta opção de tratamento tem vantagens e se oferece segurança semelhante a dos tratamentos convencionais. Nossa conversa agora será com o oncologista Dr. Gilberto Amorim.

As inovações da ciência só são possíveis através de realização de pesquisas e estudos clínicos. Para que novos tratamentos entrem no mercado, em algum momento, esses medicamentos novos precisam ser testados em humanos e esta questão é relativamente polêmica aqui no Brasil, até porque não há disseminação de informação de maneira clara para o público de uma forma geral.
Por outro lado, em especial no universo da oncologia, pacientes ficam ávidos por novidades médicas capazes de proporcionar uma sobrevida maior e também qualidade de vida.
Sabemos que a legislação sobre ética em pesquisa é bastante rigorosa no Brasil, objetivando preservar e proteger o paciente, mas gostaríamos de obter uma perspectiva de um oncologista sobre o assunto.
entrevistamos Débora Victorino, Gerente de Operações do Instituto COI (neste post aqui), e agora falaremos com o Dr. Gilberto Amorim, médico oncologista bastante conceituado, que nos dará sua perspectiva a respeito do tema .
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VIVER EU QUERO – Dr. Gilberto Amorim, na sua perspectiva profissional, pacientes que se colocam à disposição de estudos clínicos têm vantagens?

DR GILBERTO AMORIM – “O acesso a estudos clínicos com novas drogas ainda é muito limitado em nosso país, mesmo em centros com tradição em pesquisa clínica, isto não representa nem 1% dos pacientes atendidos. É verdade que em alguns casos estes pacientes têm acesso a tratamentos inovadores por vezes já disponíveis em outros países, outras vezes estes tratamentos estão disponíveis da rede privada mas não no SUS, por isso a parceria de centros públicos com centros de pesquisa é bem vinda pois pode ampliar as opções de tratamento.

VIVER EU QUERO  – Por outro lado, o senhor vislumbra riscos para estes pacientes? Esses riscos também existem nos tratamentos que estão à disposição no mercado?

DR GILBERTO AMORIM – “Todo medicamento tem riscos, tem efeitos colaterais. Claro que dependendo da fase de testes mesmo estas drogas novas já passaram por testes anteriores e muitos efeitos já são conhecidos. Ampliar os testes é importante pois com mais pacientes a eficácia e segurança são melhor avaliadas. Outra questão é conhecer a segurança em nossa população em comparação com a de outros países…um medicamento seguro em pacientes asiáticos nem sempre será seguro em pacientes brasileiros, por exemplo. “

VIVER EU QUERO  – Nos Estados Unidos percebemos que muitos pacientes ficam até mesmo ansiosos por participar de estudos clínicos e de obter tratamentos em fase experimental. Muitos até mesmo processam seguros de saúde com o intuito de ter acesso a drogas em fase experimental. Por outro lado, aqui no Brasil, a palavra “experimental”, de uma maneira geral, gera insegurança. A que o senhor atribui essa diferença de expectativa e de comportamento?
DR GILBERTO AMORIM – “Todo medicamento já passou por esta fase dita experimental, é fundamental que testes sérios, longos e com numerosos pacientes sejam realizados. No entanto há muita confusão neste conceito, pois pode ser experimental no Brasil à luz das nossas autoridades sanitárias (ANVISA, etc) mas já estar liberado pelo FDA (EUA) e pelo EMEA (Europa). Claro que existem medicamentos experimentais também lá fora, mas que já estão sendo testados em fases precoces de pesquisa (fase I-III) também em nosso país. Muitas situações em oncologia no mundo todo geram esta ansiedade, em especial quando os tratamentos convencionais vão se esgotando, daí a necessidade e a busca por novos tratamentos.”
VIVER EU QUERO  – Quais questionamentos ou cuidados um paciente deveria fazer/ter antes de se voluntariar para um estudo clínico?

DR GILBERTO AMORIM – “Ele jamais deve se sentir pressionado, a lei manda que seja uma participação voluntária, e mesmo antes de assinar o famoso termo de consentimento por escrito que a legislação exige, que ele tenha tranquilidade e tempo para tirar todas as suas dúvidas acerca do protocolo, se terá disponibilidade para executar os diferentes testes, exames, consultas…exige muita disciplina. Mas o paciente deve ser avisado que pode sair do estudo a qualquer momento por livre escolha, se mudar de ideia. Os pesquisadores seguem as “GCPS” uma sigla em inglês conhecida como “boas práticas clínicas em pesquisa” numa tradução livre. É importante as pessoas saberem disso.”

VIVER EU QUERO  – O senhor pensa que em determinados casos, pacientes podem obter, em estudos clínicos, resultados que ainda não estão à disposição com as drogas que estão no mercado?
 

DR GILBERTO AMORIM – “Sem dúvida isso é possível, em muitas situações as possibilidades são ampliadas.” 

VIVER EU QUERO  – A pesquisa com humanos no Brasil é desenvolvida de maneira séria?

DR GILBERTO AMORIM – “Temos uma legislação de primeiro mundo, profissionais treinados e qualificados para estas pesquisas, comitês de ética independentes vigiando e  sendo comunicados de todas as mudanças ou intercorrências do projeto, os centros sofrem monitorias externas e até mesmo auditorias independentes frequentes, muitas delas internacionais. Neste cenário apesar de poucos projetos disponíveis e quase todos financiados sem nenhuma ajuda do governo, aqueles que existem funcionam muito bem já que infelizmente no nosso país há muitos anos o investimento público em medicamentos novos é muito baixo”

E aí? Gostaram? Se ainda não viram os posts 1 e 3 desta “trilogia” sobre estudos clínicos, vejam aqui e aqui.

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