Você Já Teve Curiosidade Sobre Pesquisas Com Humanos? E Se Essas Pequisas Puderem Nos Ajudar? (POST 1 da trilogia)

O Viver Eu Quero traz para vocês uma trilogia de posts sobre estudos clínicos. Não sei vocês, mas esta blogueira aqui, especialmente depois do diagnóstico sobre câncer de mama triplo negativo, ficou super curiosa a respeito de pesquisas sobre câncer no Brasil com  humanos voluntários.

Como funcionam? São seguros? Será que oferecem vantagens que tratamentos comuns não oferecem? Podem agregar benefícios que ainda não estão disponíveis em tratamentos comuns?

Fato é que há pouca disseminação de informações a este respeito aqui no Brasil e a falta de informação se transforma em insegurança. Precisamos estar bem informados para fazermos as melhores escolhas a respeito da nossa saúde e a pesquisa pode ser uma alternativa bastante interessante.

Para tirar essas dúvidas entrevistei a gerente de operações de um  importante instituto de pesquisa, um médico oncologista bastante conceituado e fiz um levantamento sobre pesquisas que estão acontecendo pelo Brasil, considerando para tanto o material disponibilizado pelo Instituto Oncoguia, pois admiro bastante a seriedade do trabalho desta ONG.

Neste post vocês verão a entrevista com Débora Victorino, a Gerente de Operações do Instituto COI.

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VIVER EU QUERO –  Débora, por favor, explique para nós como se dá o recrutamento e seleção de pacientes para a pesquisa?
 DÉBORA VICTORINO –  “O recrutamento de pacientes para a pesquisa pode ocorrer de diversas formas: recrutamento de pacientes que fazem tratamento na própria Instituição onde a pesquisa é realizada, pacientes encaminhados por médicos de outras Instituições, divulgação em website, mídias sociais, rádio, revista, jornal, encontros científicos para médicos.”
VIVER EU QUERO – As vantagens e os eventuais riscos ficam bem claros para o voluntário? Tem um documento que esclarece isso tudo?
 DÉBORA VICTORINO – “Para realizarmos as pesquisas com seres humanos devemos seguir as diretrizes das resoluções brasileiras sobre pesquisa em seres humanos, a principal é a Resolução 466/12. O primeiro procedimento que realizamos é apresentar a pesquisa para os pacientes e familiares, explicamos o objetivo da pesquisa, riscos, benefícios, procedimentos a serem realizados, etc. 
Todas essas informações também estão disponíveis no documento chamado Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). É um documento por escrito que entregamos aos pacientes para eles lerem, conversarem com familiares e/ou consultarem outras opiniões e, posteriormente, assinar dando a sua anuência em participar do estudo. Uma via do TCLE é entregue aos pacientes e eles podem esclarecer qualquer dúvida ao longo da participação nas pesquisas.” 
VIVER EU QUERO – Na sua perspectiva profissional, de uma maneira geral, os riscos existentes num estudo clínico são relativamente próximos ou equivalentes àqueles existentes num tratamento já disponível no mercado? Afinal não podemos ignorar que os tratamentos hoje existentes também oferecem riscos e efeitos colaterais, correto?
 DÉBORA VICTORINO – “Sim, o tratamento com quimioterapia oferece riscos e eventos adversos. Da mesma maneira, os estudos clínicos com medicamentos experimentais também oferece riscos e eventos adversos. Todos os eventos adversos e riscos são monitorados cuidadosamente por todos os envolvidos desde as fases iniciais do desenvolvimento dos medicamentos de forma que sempre os benefícios sejam superiores aos riscos. ” 
 VIVER EU QUERO – Depois que este paciente preenche os requisitos, passa por toda a triagem necessária e começa o estudo clínico, quem custeia esse tratamento?
 DÉBORA VICTORINO – “Todo o tratamento nos estudos clínicos é financiado pelos patrocinadores das pesquisa. A Instituição que realiza os estudos tem um contrato com os patrocinadores, no geral, indústrias farmacêuticas, para condução das pesquisas. Durante a participação nos estudos as consultas, tratamentos oral ou quimioterapia venosa e exames de imagem e laboratoriais são realizados e pagos pelo estudo.”   
VIVER EU QUERO – Se este voluntário não tiver plano de saúde, mas apresentar efeitos colaterais em razão do tratamento ou ainda necessitar fazer exames também por conta deste tratamento, a pesquisa cobre os custos?
 DÉBORA VICTORINO – Todos os efeitos colaterais relacionados a sua participação nos estudos clínicos são cobertos pela pesquisa, desde medicamentos até consultas e exames. É importante ressaltar que a cobertura só ocorre se os efeitos colaterais tiverem relação ao tratamento. Se um paciente, por exemplo, for atropelado os custos com o tratamento não são cobertos pelo estudo. 
VIVER EU QUERO – Se porventura a pesquisa for encerrada por qualquer razão, como fica a situação do voluntário que estava obtendo resultados positivos desse medicamento?
  DÉBORA VICTORINO – “Se a pesquisa for encerrada e os pacientes estiverem tendo benefício, eles continuaram a receber os medicamentos. Enquanto houver benefício o acesso aos medicamentos são garantidos. Vale lembrar que, se o medicamento estiver disponível na rede pública ou pelo plano de saúde e a pesquisa tiver sido encerrada, o acesso passa a ser pelo plano ou hospital.”  
VIVER EU QUERO – Agora, suponhamos que temos um voluntário para um tratamento quimioterápico e que ele concluiu a fase da pesquisa, entretanto ainda há outros tratamentos indicados em seu caso, como radioterapia, por exemplo. Na hipótese da radioterapia não fazer parte da pesquisa, este voluntário retorna para o acompanhamento que fazia anteriormente? Os responsáveis pela pesquisa ajudam nesse processo de redirecionamento?
 DÉBORA VICTORINO – “Ele retorna ao seu tratamento, nesse caso à radioterapia e não será financiado pela pesquisa. Ajudamos os pacientes agendando a consulta de retorno com seus médicos. Sempre tentamos ajudar para facilitar o tratamento dos pacientes.”
VIVER EU QUERO – O paciente pode desistir da pesquisa a qualquer tempo? 
 DÉBORA VICTORINO – “Sim, a participação é voluntária em qualquer etapa da pesquisa e os pacientes podem desistir a qualquer momento sem prejuízo do seu tratamento na Instituição, ou seja, voltará a ser tratado com seu médico.”
VIVER EU QUERO – Pela sua experiência profissional, pacientes que se voluntariam para pesquisas costumam ter acesso a novidades tecnológicas que não têm num tratamento usual? Você vislumbra outras vantagens?
 DÉBORA VICTORINO –   “É uma oportunidade de ter acesso a novos medicamentos (em pesquisa), mas também de ter acesso a medicamentos que ainda não estão disponíveis na rede pública e/ou liberado pelos planos de saúde. 
Além disso, todos os pacientes que são voluntários estão contribuindo para o avanço da ciência e na descoberta de novas formas de tratamento do câncer. 
Todos os exames têm prazo para serem realizados dentro das pesquisas, o que agiliza o conhecimento do andamento da resposta aos tratamentos. Isso é uma importante vantagem para pacientes da Rede Pública, já que o tempo para marcação de exames é muito demorado. “
VIVER EU QUERO – Você gostaria de fazer mais alguma consideração a respeito do tema?  
  DÉBORA VICTORINO – “Qualquer paciente pode participar dos estudos clínicos, seja de planos de saúde ou do sistema público desde que preencha todos os critérios dos estudos. 
Durante a participação nos estudos o acesso a exames laboratoriais, de imagem, consultas e tratamento é gratuito. Porém, caso os pacientes não estejam respondendo ao tratamento pelo estudo, sua participação é encerrada e os pacientes retornam para seu tratamento convencional.  É importante que os pacientes do sistema público tenham matrícula em algum hospital para darem continuidade ao seu tratamento após encerrarem sua participação nos estudos. 
Caso seja necessário atendimento de emergência ou internação, temos contrato com um hospital para prestar atendimento aos pacientes dos estudos clínicos desde que seja relacionado a sua participação nos estudos. 
 
Precisamos mostrar para sociedade que a participação em estudos clínicos é mais uma opção no tratamento do câncer, permitindo acesso a medicações de novas gerações e muitas vezes é o que tem de melhor a ser feito, principalmente para pacientes que dependem do sistema público, onde muitos medicamentos ainda não estão disponíveis devido ao alto custo de sua compra. 
As pessoas precisam conhecer como funciona e como podem participar para tomarem uma decisão mais consciente e participativa no seu tratamento. “
Neste link aqui vocês podem obter mais informações sobre o Instituto COI e seus estudos.

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